Ultraprocessados: praticidade x saúde infantil

Difícil passar pelas gôndolas dos supermercados e não pegar um pacote de bolacha recheada, um suco de caixinha, um bolinho pronto, um chocolate para colocar na lancheira da escola, mas o consumo diário dos tão falados ‘ultraprocessados’ está preocupando muitos institutos de pesquisas mundiais.

Estudos britânicos, publicados no British Medical Journal, mostram que esse tipo de alimento tem impacto direto em doenças cardiovasculares ao longo dos anos. Uma equipe da Universidade de Paris, na França, acompanhou mais de 105 mil pessoas por cinco anos e constatou que o nível de consumo aumentou assim como o risco de problemas cardíacos. Até mesmo os americanos, famosos por seus ‘fast foods’ alertaram no Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos, para indicadores de obesidade, marcadores de risco metabólico, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, asma, depressão, doenças gastrointestinais e mortalidade. 

Recentemente, O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou a publicação ‘ Alimentos Utraprocessados e Crianças’ – uma revisão atualizada do documento que reúne as evidências mais recentes sobre os impactos do consumo de ultraprocessados na saúde de crianças e adolescentes, destacando o desequilíbrio nutricional e sua associação com sobrepeso, obesidade, erosão dentária e cáries. O estudo também reúne indicadores que relacionam o consumo desses produtos à desnutrição, atraso no crescimento e anemia, maior risco de diabetes tipo 2 na vida adulta e possíveis impactos na saúde mental.

O UNICEF já havia alertado que pela primeira vez, em 2025, a obesidade superou a desnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar no mundo, e principalmente, países de baixa e média renda, estão afastando crianças e adolescentes de dietas tradicionais e as conduzindo a padrões alimentares prejudiciais à saúde. No Brasil não é diferente, o percentual de crianças e adolescentes com sobrepeso dobrou de 18% para 36% em apenas dois anos nessa faixa etária. 

Pesquisadores da Universidade de Navarra, na Espanha, após monitorarem hábitos alimentares de quase 20 mil pessoas notaram que os riscos permaneciam altos para quem consumia mais de quatro porções por dia de alimentos ultraprocessados.

Diante de tantas pesquisas e informações, na hora de montar uma lancheira equilibrada é importante priorizar alimentos naturais e da estação; incluir combinações de carboidratos, proteínas e frutas; evitar ultraprocessados; variar cores, texturas e formatos e estimular a autonomia da criança no preparo.

É claro que não temos como fugir deles, mas podemos reduzi-los no dia a dia para que nossos filhos tenham melhor qualidade de vida lá na frente!

Alguns exemplos de alimentos ultraprocessados:

  • Macarrão instantâneo;
  • Cereais matinais;
  • Sorvetes;
  • Temperos prontos;
  • Molhos prontos, como maionese, ketchup, mostarda e molho barbecue;
  • Misturas para bolo, tortas e pudins;
  • Iogurtes e bebidas lácteas adoçadas e/ou com aromatizantes;
  • Bebidas açucaradas, como sucos industrializados e energéticos;
  • Barras de cereais;
  • Fast food, como hambúrguer, cachorro-quente e pizza;
  • Refrigerantes;
  • Embutidos, como salsicha, linguiça, mortadela e presunto;
  • Refeições prontas para consumo, como pizza, lasanha, batatas fritas e nuggets;
  • Biscoitos doces e salgados.

Mais informações sobre ‘ Alimentos Utraprocessados e Crianças’ – UNICEF no Brasil

Imagem: Divulgação

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